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13º e férias do professor temporário: o que o STF fixou e o que depende


Dr. Wesley FantiniPor Dr. Wesley Fantini de Abreu · Advogado · OAB/GO 21.846Atualizado em 24/10/2026

Resposta direta

O piso vale para o temporário: no Tema 1.308 (abril/2026), o STF fixou que o piso da Lei 11.738/2008 vale para todo profissional do magistério público da educação básica, independentemente do vínculo, com os efeitos no tempo limitados pela modulação do voto do relator nos segundos embargos (sessão virtual encerrada em 23/10/2026; a certidão de julgamento ainda não constava do portal do STF em 24/10/2026). Já 13º e férias não decorrem por si sós dessa decisão — o acórdão manda observar o Tema 551 e a ADI 6.196 quanto às demais verbas, que podem variar conforme o vínculo. Dependem da lei do seu município ou estado e do seu contrato.

É uma das dúvidas mais frequentes de quem dá aula por contrato temporário: depois que o STF reconheceu o direito ao piso, o professor temporário também passa a ter décimo terceiro e férias? A resposta exige honestidade técnica, porque há duas coisas diferentes em jogo. De um lado, o piso nacional do magistério: esse, sim, o Supremo Tribunal Federal fixou para o professor temporário ou contratado no Tema 1.308 de repercussão geral, independentemente do vínculo. De outro, verbas como décimo terceiro, férias e adicional por tempo de serviço — quanto às quais o acórdão manda observar o Tema 551 e a ADI 6.196 e que podem variar conforme o vínculo jurídico. Este guia explica, sem prometer o que não foi decidido, onde está a fronteira entre o que o STF fixou e o que depende, e o que verificar no seu caso. O atendimento da Fantini é on-line, para professores de qualquer município do Brasil, e cada situação depende de análise individual.

O professor temporário tem direito a 13º e férias por causa do Tema 1.308?

Não automaticamente. O Tema 1.308 fixou o piso para o professor temporário — não converte todas as demais verbas em direito automático. O acórdão preserva remunerações distintas acima do piso, observados o Tema 551 e a ADI 6.196.

O que o STF decidiu, no ARE 1.487.739 (julgamento de 16 de abril de 2026, relatado pelo Ministro Alexandre de Moraes; recurso desprovido por unanimidade e teses fixadas por maioria; acórdão publicado em 17 de agosto de 2026), foi que o valor do piso previsto na Lei 11.738/2008 se aplica a todos os profissionais do magistério público da educação básica, independentemente da natureza do vínculo firmado com a administração pública, observado o que já havia sido decidido no Tema 551 de repercussão geral e na ADI 6196. Em outras palavras: o que define o direito ao piso é exercer o magistério na educação básica pública, e não o tipo de contrato.

Mas a tese trata do piso — e só do piso. Décimo terceiro, férias e adicional por tempo de serviço (ATS) não decorrem por si sós dessa decisão. É justamente essa distinção que este guia faz, sem prometer mais do que o Supremo fixou.

O que o acórdão diz sobre as outras verbas?

Que o acórdão preserva remunerações distintas acima do piso. Este é o ponto que costuma ficar de fora, e que aqui aparece sem rodeio. Na discussão do julgamento, o Ministro André Mendonça registrou que o piso para o temporário não significa que outros aspectos remuneratórios (adicionais por tempo de serviço, quinquênios) não possam ser distintos; e a ementa do acórdão preserva “a possibilidade de remunerações distintas acima desse limite, observando-se o decidido no Tema 551 de repercussão geral e na ADI 6.196”. O Tema 551 (RE 1.066.677, Plenário Virtual de 15 a 21/05/2020) fixou que “Servidores temporários não fazem jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, salvo (I) expressa previsão legal e/ou contratual em sentido contrário, ou (II) comprovado desvirtuamento da contratação temporária pela Administração Pública, em razão de sucessivas e reiteradas renovações e/ou prorrogações”.

Traduzindo a ressalva: o piso, sim, vale para o temporário, independentemente do vínculo; mas verbas como décimo terceiro, férias e ATS não vêm no mesmo pacote. Existir, quanto e como cada uma se aplica depende da lei do seu município ou estado, da natureza do seu contrato e, conforme o Tema 551, de haver comprovado desvirtuamento da contratação por renovações sucessivas e reiteradas.

Por isso a orientação responsável separa duas coisas. De um lado, o piso, que a tese do Tema 1.308 fixou para o magistério público da educação básica seja qual for o vínculo. De outro, as demais parcelas, que exigem analisar o estatuto, a legislação do ente e as condições do contrato para saber, caso a caso, o que é devido. Prometer que tudo vem junto seria desonesto — e contrariaria o que consta da ementa do acórdão.

Por que 13º e férias dependem da lei do ente e do tipo de contrato?

Porque essas verbas não têm uma regra nacional única para o professor temporário como o piso tem. O piso nasce de uma lei federal (a Lei 11.738/2008) e foi confirmado pelo STF para todo o magistério público da educação básica. Já o décimo terceiro, as férias e seus reflexos para quem é contratado por tempo determinado dependem do regime jurídico que o ente — o município ou o estado — adotou para aquele contrato.

Cada município e cada estado tem o seu estatuto e as suas leis sobre contratação temporária. Em alguns lugares, e conforme a natureza do contrato, há previsão de gratificação natalina e de férias ou de seu equivalente indenizado; em outros, as regras são diferentes. Não há um percentual ou um valor universal a cravar — o que existe, em cada caso, depende da legislação local e do que o contrato estabelece.

Por isso a única resposta honesta para 'tenho 13º e férias?' começa por ler o seu vínculo: o contrato, os termos de renovação, o estatuto e a legislação do ente. É essa leitura, e não a tese do piso, que diz se há fundamento quanto a essas verbas no seu caso concreto.

E o piso, o que o STF fixou para o professor temporário?

O STF fixou que o piso vale para o profissional do magistério público da educação básica seja qual for a natureza do vínculo, inclusive o temporário ou contratado, com os efeitos no tempo limitados pela modulação descrita adiante. É importante não confundir as duas coisas: enquanto 13º e férias dependem da lei do ente, o piso foi tratado de forma direta pela tese.

Na prática, isso dá fundamento para comparar o que o professor temporário recebeu de vencimento com o valor do piso vigente em cada período. A conferência começa pelo vencimento básico no contracheque. Ao julgar a ADI 4167, o STF já havia fixado que o piso corresponde ao vencimento inicial da carreira, e não à remuneração total somada a gratificações e adicionais. Ou seja: não basta o total fechar o valor do piso embutindo outras verbas — é o vencimento de base que não pode ficar abaixo dele.

Um ponto que costuma gerar dúvida é o contrato renovado várias vezes. A tese do Tema 1.308 não condiciona o direito ao piso ao tempo de contrato nem ao número de renovações: ela olha para a natureza da atividade (magistério público da educação básica), não para a forma do vínculo. A renovação sucessiva, porém, não gera automaticamente os direitos do professor efetivo nem a efetivação no cargo — a Constituição exige concurso para investidura em cargo efetivo, e isso é outra discussão, que não decorre desta decisão.

O que verificar e reunir para saber o que é devido no seu caso?

O ponto de partida são os documentos do seu vínculo. Para o piso, o material mais útil são os contracheques ou fichas financeiras de todo o período contratado, o contrato e os termos de renovação, e o que demonstre as etapas da educação básica e a carga horária em que você atuou — inclusive de contratos já encerrados. São esses documentos que mostram a distância entre o piso vigente e o que efetivamente caiu na conta.

Para 13º, férias e demais verbas, a análise vai além do contracheque: é preciso olhar o estatuto e a legislação do seu município ou estado e a natureza do contrato, para saber se, e em que medida, essas parcelas se aplicam ao seu vínculo. É por isso que não dá para responder por padrão — a resposta mora na lei do ente.

Quanto ao passado, a regra geral de prescrição é de cinco anos (Decreto 20.910/1932; Súmula 85 do STJ): contra a Fazenda Pública, nas relações de trato sucessivo em que o direito não foi negado, a prescrição atinge apenas as parcelas vencidas antes do quinquênio anterior à ação. Se, e em que medida, as diferenças desse período podem ser discutidas com base no Tema 1.308 depende também dos marcos da modulação descritos adiante. Saber exatamente o que ainda pode ser pleiteado depende dessa análise individual, à luz das suas datas e do seu vínculo. Os riscos se avaliam caso a caso, sem prometer resultado.

Houve modulação, no tempo, dos efeitos da decisão sobre o piso?

Segundo o voto do relator e o resultado noticiado, sim. Contra o acórdão do Tema 1.308, os Estados do Piauí e de Pernambuco opuseram embargos de declaração, autuados no STF como ARE 1.487.739 ED-segundos (processo de origem em Pernambuco), pedindo a modulação temporal dos efeitos da tese. O relator, Ministro Alexandre de Moraes, votou por acolher em parte ambos os embargos, unicamente para modular os efeitos do acórdão embargado, em respeito ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada, nos seguintes termos: (a) para os entes federativos que tenham adotado o piso até a data do julgamento dos embargos, não haverá aplicação retroativa; (b) se o ente federativo ainda não implementou administrativamente o piso, os efeitos serão prospectivos a partir do próximo exercício financeiro, ou seja, 01/01/2027. Ficam ressalvadas as ações judiciais em curso até a data do julgamento do mérito (16/04/2026), e preservam-se as sentenças transitadas em julgado que tenham adotado a orientação do precedente.

A sessão virtual do Plenário (16 a 23/10/2026) terminou em 23/10/2026. Em 24/10/2026, a certidão de julgamento com o resultado ainda não constava do portal do STF; o resultado do colegiado é o noticiado pela imprensa: por unanimidade, o Plenário acompanhou o relator (Migalhas, 24/10/2026).

Em termos práticos para o professor temporário, o voto separa três situações: o ente que já tinha adotado o piso até a data do julgamento dos embargos (sem aplicação retroativa); o ente que ainda não o tinha implementado administrativamente (efeitos a partir de 01/01/2027); e as ações judiciais em curso até 16/04/2026 (ressalvadas). O voto traz essa ressalva em frase própria, depois do item (b), sem dizer de forma expressa se ela alcança também o item (a); só o texto oficial da certidão e do acórdão permitirá confirmar esse alcance. Cada caso depende de análise individual: se o ente já pagava o piso ao temporário e desde quando, quando o implementou, se havia ação ajuizada e em que data, e o que consta do contrato. Em 24/10/2026, ainda era preciso acompanhar a certidão de julgamento e a publicação do acórdão, que trarão o texto oficial da modulação.

Há ainda um dado legislativo próprio. A Lei 15.437/2026 (de 18/06/2026, publicada no DOU de 19/06/2026 e em vigor na data da publicação, art. 5º) deu nova redação ao art. 2º, §2º, da Lei 11.738/2008 e passou a incluir expressamente, entre os profissionais do magistério público da educação básica, os contratados por tempo determinado. A modulação descrita acima trata dos efeitos do acórdão do Tema 1.308, e o voto do relator não menciona a Lei 15.437/2026. Por isso, as datas da modulação, inclusive 01/01/2027, não devem ser lidas como se fixassem, sozinhas, o início do direito ao piso para todo professor temporário: a forma como a modulação e a lei se combinam, para cada ente e cada período, não é tratada no voto e depende da análise do caso concreto.

Quanto às demais verbas, o voto acolhe os embargos unicamente para modular os efeitos no tempo: o relator não acolheu os pedidos de esclarecimento sobre o efeito do piso na base de cálculo de décimo terceiro, férias e outras parcelas, por entender que o acórdão não apresentava omissão, contradição ou obscuridade nesses pontos. Por isso, o que este guia explica sobre 13º, férias e ATS não foi alterado pelo voto.

Perguntas frequentes

Professor temporário tem direito a 13º e férias?

Depende. Não é um direito automático que decorra da decisão do STF sobre o piso. O Tema 1.308 fixou o piso para o professor temporário, independentemente do vínculo, mas o acórdão manda observar o Tema 551 (servidores temporários não fazem jus a décimo terceiro e férias com terço constitucional, salvo expressa previsão legal e/ou contratual em sentido contrário ou comprovado desvirtuamento da contratação por sucessivas e reiteradas renovações e/ou prorrogações) e a ADI 6.196 quanto às demais verbas, e no debate do julgamento o Ministro André Mendonça lembrou que adicionais por tempo de serviço e quinquênios podem ser distintos. Décimo terceiro, férias e adicional por tempo de serviço dependem da lei do seu município ou estado e da natureza do seu contrato. Por isso a resposta exige analisar o seu vínculo, caso a caso.

Então o que a decisão do STF fixou para o professor temporário?

O piso. No Tema 1.308 (ARE 1.487.739, julgamento de abril de 2026), o STF fixou que o piso da Lei 11.738/2008 vale para todo profissional do magistério público da educação básica, independentemente da natureza do vínculo — inclusive o temporário ou contratado. Esse é o ponto que a tese fixou; o alcance no tempo é limitado pela modulação descrita nesta página (voto do relator nos segundos embargos; resultado noticiado em 24/10/2026). As demais verbas, como 13º e férias, é que dependem da legislação do ente e do contrato.

Por que 13º e férias dependem e o piso não?

Porque o piso nasce de uma lei federal (Lei 11.738/2008) e foi confirmado pelo STF para todo o magistério público da educação básica, independentemente do vínculo. Já o 13º, as férias e seus reflexos para quem é contratado por tempo determinado dependem do regime jurídico que cada município ou estado adotou para aquele contrato. Não há um percentual ou valor universal: o que existe, em cada caso, depende da lei do seu ente e do que o contrato estabelece.

Se eu renovei o contrato várias vezes, passo a ter 13º e férias como o efetivo?

A renovação sucessiva não gera automaticamente os direitos do professor efetivo. A tese do Tema 1.308 não condiciona o direito ao piso ao número de renovações, mas também não afirma que a renovação gere efetivação no cargo nem todos os direitos do efetivo — a Constituição exige concurso para investidura em cargo efetivo. Quanto a 13º e férias, o Tema 551 do STF fixou que servidores temporários não fazem jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, salvo (I) expressa previsão legal e/ou contratual em sentido contrário, ou (II) comprovado desvirtuamento da contratação temporária pela Administração Pública, em razão de sucessivas e reiteradas renovações e/ou prorrogações. Por isso a resposta depende da lei do seu município ou estado, do contrato e de ser possível comprovar o desvirtuamento por renovações sucessivas e reiteradas; o número de renovações, sozinho, não decide.

Sou professor temporário de um município pequeno, longe das capitais. Vocês atendem?

Sim. O atendimento é on-line, para professores de qualquer município do Brasil. Você deixa o seu WhatsApp, a conversa abre em seguida, e o escritório entende a sua situação e explica com franqueza se há um caminho — sem compromisso. Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do caso concreto.

Base jurídica

TemaFonte oficial
Piso da Lei 11.738/2008 vale para todo profissional do magistério público da educação básica, independentemente do vínculoSTF, ARE 1.487.739 (Tema 1.308 de repercussão geral), Rel. Min. Alexandre de Moraes, j. 16/04/2026 (recurso desprovido por unanimidade; teses fixadas por maioria)
Segundos embargos de declaração: voto do relator acolhe em parte, unicamente para modular os efeitos — sem aplicação retroativa para o ente que adotou o piso até o julgamento dos embargos; efeitos a partir de 01/01/2027 para o que não o implementou; ressalvadas as ações em curso até 16/04/2026; preservadas as sentenças transitadas em julgado que seguiram o precedenteSTF, ARE 1.487.739 ED-segundos, voto do Rel. Min. Alexandre de Moraes (lista 661-2026.AM do Plenário Virtual, 16 a 23/10/2026; certidão de julgamento ainda não constava do portal do STF em 24/10/2026); resultado noticiado: unanimidade (Migalhas, 24/10/2026)
Demais verbas: o acórdão preserva remunerações distintas acima do piso, observados o Tema 551 e a ADI 6.196; 13º e férias não decorrem por si sós da teseSTF, ARE 1.487.739 (Tema 1.308), ementa, item 3, e debate do julgamento (Min. André Mendonça; Rel. Min. Alexandre de Moraes)
Servidores temporários não fazem jus a décimo terceiro e férias com terço constitucional, salvo expressa previsão legal e/ou contratual em sentido contrário ou comprovado desvirtuamento da contratação por sucessivas e reiteradas renovações e/ou prorrogaçõesSTF, Tema 551 (RE 1.066.677), Plenário Virtual de 15 a 21/05/2020
Profissionais do magistério público da educação básica incluem expressamente os contratados por tempo determinadoLei 11.738/2008, art. 2º, §2º, na redação da Lei 15.437/2026 (DOU de 19/06/2026; vigência na data da publicação, art. 5º da Lei 15.437/2026)
Piso = vencimento inicial da carreira (não a remuneração total)STF, ADI 4167/DF
Prescrição: só as parcelas dos últimos 5 anos (trato sucessivo)Súmula 85 do STJ
Prazo de 5 anos contra a Fazenda PúblicaDecreto 20.910/1932

Fontes oficiais citadas a título informativo (Prov. 205/2021 CFOAB). Cada caso depende de análise individual.

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Revisado por Dr. Wesley Fantini de Abreu (OAB/GO 21.846) · 12/06/2026
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