Tributário e Fazenda Pública · Defesa fiscal

Bloquearam minha conta ou meus bens por dívida fiscal: o que fazer


Por Frede Sá de Moura · Sócio · Advogado · OAB/MG 151.651 · OAB/GO 58.362Atualizado em 23/10/2026

Resposta direta

Na execução fiscal o juiz pode bloquear valores por SISBAJUD e penhorar bens. Dá para pedir o desbloqueio do que é, em regra, impenhorável — salário e poupança até 40 salários mínimos —, liberar o excesso, substituir a penhora por bem menos gravoso e discutir a própria dívida. A reação nos primeiros dias evita que o bloqueio pare a operação.

Prazos que não podem passar

  • Manifestar sobre o bloqueio / pedir desbloqueio de impenhoráveis5 dias da ciência (CPC, art. 854, §3º)
  • Embargos à execução30 dias da garantia (Lei 6.830/1980, art. 16)

A contagem exata (início, dias úteis ou corridos, suspensões) depende do processo e da intimação recebida. Não deixe para o último dia: confirme o seu prazo com um advogado assim que receber qualquer comunicação.

Leve o caso ao escritório

Envie o essencial pelo WhatsApp e receba uma leitura técnica, com sigilo e sem compromisso.

Falar pelo WhatsApp

Isso está acontecendo com você?

  • sua conta foi bloqueada por ordem judicial de execução fiscal
  • o SISBAJUD (antigo BacenJud) travou valores da empresa ou seus
  • houve penhora de veículo (RENAJUD) ou de faturamento
  • o bloqueio atingiu salário, aposentadoria ou a reserva essencial

Nem tudo é penhorável

Em regra, são impenhoráveis o salário e as verbas de natureza remuneratória (CPC, art. 833, IV) e a quantia em poupança até 40 salários mínimos (CPC, art. 833, X). Comprovada a natureza do valor, pede-se o desbloqueio — em regra em 5 dias da ciência (CPC, art. 854, §3º). O que exceder a dívida também deve ser liberado (art. 854, §1º).

O Superior Tribunal de Justiça fixou, no Tema 1230 dos recursos repetitivos (REsp 1894973/PR e outros, Corte Especial, julgado em 15/09/2026, acórdão publicado em 21/09/2026), que a regra da impenhorabilidade do salário admite exceção. A tese é esta: "A regra geral da impenhorabilidade de verbas de natureza remuneratória (CPC de 2015, art. 833, IV) pode ser mitigada, em caráter excepcional, para pagamento de dívida de natureza não alimentar, desde que: (a) inviabilizados outros meios executórios que possam garantir a efetividade da execução; e (b) comprovado que a constrição não comprometa a subsistência digna do devedor e de sua família, cabendo a este o respectivo ônus probatório." O salário segue protegido como regra; a penhora só é possível em situação excepcional, depois de esgotados outros meios e desde que a subsistência da família não fique comprometida; segundo a tese, o ônus probatório cabe ao devedor. A tese não trata expressamente da execução fiscal; como o crédito tributário não tem natureza alimentar, a Fazenda Pública pode invocá-la, e a aplicação ao caso concreto depende de análise. A página oficial do STJ, atualizada em 21/09/2026, não registra trânsito em julgado do acórdão.

Reduzir o dano e discutir a dívida

É possível pedir a substituição da penhora por bem menos oneroso (CPC, art. 847) e, no caso de penhora de faturamento, limitar o percentual para preservar a atividade. Em paralelo, corre a defesa do débito (embargos ou exceção de pré-executividade) e a verificação de prescrição.

Base jurídica

TemaFonte oficial
Bloqueio de ativos financeiros; liberação do excesso; prazo de 5 diasCPC, art. 854, §§1º e 3º
Impenhorabilidade de salário e da poupança até 40 salários mínimosCPC, art. 833, IV e X
Substituição da penhora por bem menos gravosoCPC, art. 847
Embargos à execução fiscalLei 6.830/1980, art. 16
Impenhorabilidade do salário mitigável, em caráter excepcional, para dívida não alimentar (acórdão publicado em 21/09/2026)STJ, REsp 1894973/PR e outros (Tema 1230, repetitivo)

Fontes oficiais citadas a título informativo (Prov. 205/2021 CFOAB). Cada caso depende de análise individual.

Como conduzimos um caso assim

  1. 1Leitura do caso e dos documentos, com verificação da fase e dos prazos que estão correndo.
  2. 2Definição da via e da tese — administrativa ou judicial — com explicação honesta dos riscos e das alternativas.
  3. 3Condução até a decisão ou a solução possível, com os prazos controlados e comunicação clara em cada etapa.

Advocacia é atividade de meio: o trabalho é de análise técnica, informação honesta sobre riscos e alternativas, e condução diligente dos prazos.

Perguntas frequentes

Podem bloquear meu salário?

Em regra, não: o salário e as verbas de natureza remuneratória são impenhoráveis (CPC, art. 833, IV). Pelo Tema 1230 dos repetitivos do STJ (acórdão publicado em 21/09/2026), a regra pode ser mitigada, em caráter excepcional, para dívida de natureza não alimentar, quando outros meios executórios forem inviáveis e ficar comprovado que a penhora não compromete a subsistência digna do devedor e de sua família, prova que cabe ao devedor. Por isso, quem sofre o bloqueio deve reunir desde logo os documentos sobre a própria renda e as despesas essenciais da família.

Bloquearam mais do que eu devo. E agora?

O valor que exceder a dívida deve ser liberado — o próprio CPC determina o cancelamento do que sobejar (art. 854, §1º). Pede-se a liberação imediata do excesso.

Dá para bloquear a poupança?

A quantia em poupança até 40 salários mínimos é impenhorável (CPC, art. 833, X). Acima disso, pode ser penhorada; abaixo, pede-se o desbloqueio.

Temas relacionados

Tributário e Fazenda Pública

Não é exatamente esta a situação?

Quer que um advogado analise a sua situação?

Deixe o seu WhatsApp e fale com a Fantini, com sigilo e sem compromisso.

É só o seu WhatsApp — resposta em minutos, gratuito e sigiloso.

Conteúdo meramente informativo, nos termos do Provimento 205/2021 do CFOAB. Não constitui consulta jurídica nem promessa de resultado. Cada caso depende de análise individual.

Veja também: todos os temas de tributário e Fazenda Pública

Áreas